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Blog / Tutoriais

Desenhando – Onde?

Desenhando – Onde?

Esta é uma série de posts dedicada ao ritual do desenho. Porque o desenhista cria um ritual, manias, materiais ou locais favoritos  para desenhar, terá aficcionados por desenhos que rabiscam em todos os lugares, outros só vão desenhar na sua mesa de desenho.  No fim quem desenha sabe do que estou falando. Estes posts integram nosso campo de tutoriais e se chamam: “Desenhando”. 

 ••••••••••••••••••••••••• Desenhando – Onde?•••••••••••••••••••••••••

Se fôssemos simplificar a atividade do desenhista, podemos resumi-la a papel, lápis/caneta e local de apoio. Muitos não trocam o conforto de sua mesa de desenho por lugar algum, condicionando-se a buscar referências em fotos, revistas, manequins ou em sites na internet. Serviços como Stock photos ou próprio Google imagens simplificou a busca por referências catalogadas na rede, o que torna tudo muito comodo. O mais interessante em procurar tais referências é que eu vejo gente reclamando que demora  mais tempo procurando imagens do que desenhando a figura em si.

 Mas quem é das antigas e e não contava com a internet para encontrar referências sabe que desenhar é um ato nômade. Não estou me referindo aos caras que ficam nos grandes centros urbanos com painéis enormes fazendo caricaturas ou com desenhos realistas para vender. A proposta de vagar em busca de referências existe e é conhecida como desenho de observação.

 Sair perâmbulando com prancheta ou blocos de desenho são boas pedidas. Pensando nisso, muitas empresas que produzem papéis para desenho em cadernos espirais com folhas de boa qualidade e capa dura, o que facilita o manuseio e o transporte. Você pode  procurar um modelo, ou simplesmente pescar pessoas em um local e começar a desenhá-las por um instante.

Você pode se empenhar em esboços de imagens em movimento, como cenas na praia ou em parques. Pode se fixar em poses ou elementos específicos, pois terá pessoas interagindo o tempo todo. Ainda terá o ganho adicional de poder analisar e criar composições quando tentar representar essas pessoas no papel. Você precisará de um pouco de agilidade e estar muito atento a tudo o que acontece, acredito que no início desses treinos você pode não ter tempo suficiente para coletar todas as cenas, porém,  será capaz de codificar o movimento em esboços básicos e refiná-los depois. O importante é se aventurar, se tudo parece muito complicado de início procure modelos,  ou locais onde as pessoas costumam ficar paradas por uns instantes.

Foi assim que eu descobri o quanto era bom desenhar na igreja. Era bizarro quando eu confessava esse hábito, mas se tornou fascinante ver tantos detalhes, comecei desenhando pés, apoiados, calçados, relaxados.  A primeira vez que fiz isso, ganhei uma boa bronca da minha mãe porque desenhei discaradamente no panfleto da missa à caneta. A prática se tornou recorrente. Migrei dos pés para outras partes do corpo, até chegar nas poses. Com tantos estudos, notei que quando estamos passivamente em alguma atividade, o corpo tende a relaxar,e permanecer na mesma posição por alguns minutos. Fica fácil entender que a postura e a gestualidade do corpo podem comunicar uma intenção ou a receptividade sobre uma idéia. Este tipo de registro sobressai as fotos encontradas na internet ou em revistas, pois em sua maioria, estas não são expontâneas. Você pode registrar movimentos, analisar o que está na moda ou captar o comportamento das pessoas naturalmente. Uma foto recente sobre a posse presidente dos Obama revela a mudança comportamental causada pelos smartphones.  Apesar do curto intervalo de tempo já dá para observar o quanto os nossos hábitos podem mudar ao longo do tempo.

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Seja qual for a sua intenção, não deixe de aproveitar espaços em que está confortavelmente como observador. Sua percepção melhorará muito, pois tendemos a desenhar o que está convencionado em nosso cérebro. É por isso que as crianças desenham animais de perfil com 4 patas visíveis. Elas sabem que animal tem 4 patas e o representa de acordo com a lógica e não como o  vê . Investir no desenho nômade permitirá que os elementos sejam decodificados como vê.

 Se você ainda achar que alvos móveis são complexos, porque não tentar o desenho de paisagens ou cenas urbanas. Os cenários estarão estáticos e você ainda captar o fenômeno das cores de acordo com a luz. Se você pretende fazer um estudo de peças arquitetônicas temos que dar destaque aos cadernos de viagem. Se você colocar no Google aparece uma infinidade deles. Para resumir cadernos de viagem são registros de locais que você visitou em desenho. Com o advento das câmeras digitais, você fica bem preguiçoso para fazer tudo isso, eu criei o costume de fotografar tudo, principalmente padrões arquitetônicos e cenas urbanas. É um bom recurso rever as fotos para integrar em um desenho depois. Todavia, me arrependi muito de não ter investido parte do meu tempo nesses cadernos após ver os desenhos que a Thaís Canavezes fez durante o intercâmbio em Cincinnati. Os desenhos são muito bons, porque se tornam uma memória impressa pelos seus punhos e você acaba captando a atmosfera do lugar. Você pode investir em esboços rápidos e refinar seus croquis arte finalizando-os. Nas imagens produzidas pela Thaís você pode ver isso que eu estou falando, você encontrará trabalhos a lápis, com nanquim e coloridos. Vou deixar um exemplo nesse post mas dá para conferir os trabalhos dela clicando aqui.

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Além de aprimorar o desenho de observação você pode investir toda essa pesquisa em roteiros futuros. Não se apegue a monumentos ou pontos turísticos, você pode reproduzir áreas que que poucas pessoas conhecem. Para quem não tem recursos para viajar, não precisa ir longe, comece pela sua cidade, tanto para treinar o desenho de observação ou para criação de roteiros. Lembre-se que você pode se beneficiar por fazer parte da cultura local e conseguir apresentar isso de maneira fidedigna.  Ambientar sua história num local familiar evitará furos de roteiro. Pode ser uma coisa boba, como ambientar um personagem na cidade do Rio de Janeiro embarcando no metrô às 2 horas da manhã. Quem mora na cidade sabe que o metrô não circula nesse horário só se existir algum evento especial. Esses detalhes fazem a diferença principalmente se a falta de conhecimento enfraquece seu roteiro.

Muita gente pode ser resistente a pegar o bloco e sair vagando por aí, mas comece pela vista da janela do quarto, ou reproduzindo as pessoas de casa. Certamente você irá descobrir algo novo e se aprimorará na arte do desenho que exige dedicação acima de tudo.   Aliás depois de tantas sugestões a única coisa que fica para nós depois desse post é saber qual será o lugar mais bizarro que você  irá desenhar.

 

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