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Blog / Quadrinistas

Literatura em quadrinhos japoneses

Literatura em quadrinhos japoneses

Nos últimos dias estive envolvida em grandes empreitadas, programando as férias, projetos.  Mais um pernoite doido, tentando me manter acordada. Lendo reclamações  e anuncios sobre novos títulos e lembrando de uma matéria de li no jornal alemão sobre os quadrinhos nas universidades de design,  as dificuldades da profissão. De fato ser quadrinista é difícil em todo lugar principalmente  no Brasil.

Pois bem, de tudo o que eu li, certas coisas pairavam sobre a minha cabeça. Uma delas é a declaração de um quadrinista alemão sobre os quadrinhos como parte de uma linguagem universal. Não é difícil discordar do colega alemão com todas as convenções aplicadas aos quadrinhos de uma maneira geral e todo esse aproveitamento da linguagem cinematográfica atingida pelos quadrinhos japoneses.

 Outra coisa que me deparei foi com uma enxurrada de fãs reclamando de editoras que anunciam títulos e demoram para publicar. Acredito que muitas editoras se aproveitam das negociação de títulos para uma empreitada marketeira, todavia o processo de negociação dos títulos deve ser bastante penoso. Entre  as reclamações vi gente pedindo títulos de sucesso.

Eu vi títulos de sucesso: Um Insight! A única coisa que conseguia pensar num ataque intelectual de tesão da madrugada, foi em On The Road em quadrinhos.  Desde que vi a capinha amarelinha do pocket book na livraria do prédio onde eu  trabalho fico pensando no tesão que eu teria em ilustrar Kerouac em quadrinhos. Não é pelo simples fato de querer repetir a  idéia dos Vagabundos Iluminados a ponto de querer largar o meu emprego e cair na escada e viver o devaneio intelectual desses caras e muito menos por eu ter lido quase todos os livros que ele escreveu.  Mas pela maneira como Kerouac escreve, comendo todas as formalidades, num ritmo voraz que o levou a terminar On The Road em três miseráveis dias. Eu imagino aquelas frases enormes num amontoado de quadrinhos divididos compreendendo todo aquele tom da escrita nessa linguagem universal que  eu mencionei no início. Mas será que ia ter gente querendo ler Kerouac com o mesmo tesão da madrugada que eu tive; ou simplesmente iam chiar porque eu desenhei uma história que não tem nomes japoneses e nem flores de cerejeira.

Eu fico pensando em quanto o meu irmão odiava ler e ficou fascinado com Maquiavel, ele nunca leu nada  tão rápido como aquele livro. Maquiavel, On the Road, óperas como Carmem de Bizet e tantas outras obras estariam mais acessíveis ao público se ganhassem uma versão ilustrada. Pena  que as editoras se voltam aos  fãs de quadrinhos e  as suas exigências. Porque eu ainda penso que tem história na gaveta, por que ninguém quer Maria, Allan, Cassidy, na sua história. Porque os clássicos do mangá para muitos tem que estar no contexto Japonês, de nomes, a costumes e vestimentas. Depois de uma certa idade você só quer um público que te entenda.

A linguagem universal foi para as cucuias, acabou o tesão da madrugada. Voltamos ao  elo perdido.

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