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Blog / Quadrinistas

Quadrinista do Mês de Novembro

Quadrinista do Mês de Novembro

Esta é a primeira entrevista com quadrinistas do mês, a idéia é trazer a cada mês um quadrinista diferente, com trabalhos que possam ser referência para quem está começando ou apresentar quadrinistas independentes ao público. Decidimos dedicar um espaço aos guerreiros gráficos que movidos pela paixão a nona arte se a um caminho árduo para manter-se produzindo. Convidamos vocês a dar uma oportunidade a esses artistas todo mês aqui no nosso blog.

•••••••••••••••Quadrinista do mês Mangamono •••••••••••••••

A gente dá o pontapé inicial com o Vinícius , da cidade do Rio de Janeiro, professor de Mangá e diretor do curso de Mangá Tensai, criador do Mangá DIGUDE. Um trabalho bacana com traços e qualidade profissional com um elemento brasileiríssimo, que até eu menina costumava brincar com meus 7 anos de idade (risos). Esta entrevista vai apresentar um pouco o trabalho do Vinícius e algumas questões sobre a produção de quadrinhos. Espero que você acompanhe nosso entrevistado do mês de novembro e a surpresa que ele preparou para o público do MANGAMONO.

Autor: Vinicius de Souza
Mangá/HQ: Digude
Edições no momento: 5
Status da produção: Em andamento

A Estória

Digude tem como tema protaginista Di, um menino que detesta o popular esporte chamado Gude. –Sim, o esporte é baseado no tradicionl jogo infantil de bolinhas de gude. – Isso porque sua mãe, a imbatível campeã mundial, se mudou para a Alemanha para defender seu título e nunca mais voltou. O personagem percebe que a única forma de ter sua mãe de volta é desafiá-la no hanking mundial e vencê-la.

Para isso ele deve aprender a dominar a arte do Gude, o que não será uma tarefa fácil. Em meio a tentativas frustradas ele encontra o fragmento de um meteorito que ele usa acidentalmente em uma jogada levando-o a descobrir a técnica da “Tecada certeira”. Este é será o primeiro passo de muitas aventuras para que Di inicie sua jornada em “Digude”.

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– Quando você começou a desenhar?
Desde a primeira vez que peguei um lápis. Rabiscava as paredes, cadernos antigos e livros. Lembro que eu adorava desenhar campos de futebol e encher de jogadores em formato de palitinho.

– Por que o estilo Mangá?
Quando eu tive contato com o estilo, me apaixonei, foi amor à primeira vista! Não queria saber de desenhar outras coisas, pois me divertia muito ao tentar fazer criações nesse estilo. Talvez seja pela expressividade, narrativa e delicadeza dos traços que gosto tanto.

– Como surgiu a história de digude?
Através de uma brincadeira. Quando estava no Ensino Médio, eu tinha um amigo que desenhava e nós sempre criávamos histórias e as desenhávamos para mostrar um para o outro. Já no 3º ano, ele viu um mangá chamado Ilha do Jan-Ken-Pon e começamos a cogitar certos tipos de jogos que ainda não haviam sido usados em mangás, ou que não conhecíamos ainda. Daí, pensamos em: xadrez, peão, pipa e, por fim, bola de gude. Queria fazer algo bem cômico e escrachado. Comecei a fazer, mas desisti, pois achei que estava faltando algo. Anos depois, passei a pensar na possibilidade de começar a fazer para valer. Assim, comecei a trabalhar na construção dos personagens, o que deu um ganho para a história.

– Por que incluir um elemento tão brasileiro na sua história?
Quando eu era criança, brincava muito de bolas de gude, peão, pipa e outras brincadeiras de rua. Então, é algo que já conhecia, me divertia. Tudo isso ainda me traz muita diversão, só que em forma de tinta nanquim. Causa nostalgia, o que é uma ótima sensação, e acreditei que teria o mesmo efeito sobre o leitor que já tenha jogado.

– Quais são as suas influências?
Takehiko Inoue, George Morikawa, Hiroaki Samura, Yoshiuki Sadamoto e Akira Toriyama. Sempre aprendi muito, lendo suas obras.
Quanto ao roteiro, não gosto de ficar absorvendo apenas elementos presentes nos mangás, então, gosto muito de ler algumas obras de autores como Sidney Sheldon, Stephen King, J. K. Rolling e atualmente tenho me influenciado muito pelas obras do brasileiro Eduardo Sphor. Não que Digude precise de uma trama muito complexa, é que adoro a forma que esses autores constroem bem seus personagens e tento aprender muito isso com eles. Quem está acompanhando Digude pode notar que eu gosto muito de mexer com o interior dos personagens. Acredito que em Março de 2013 sairá um Extra do “Digude” em que as pessoas poderão ver isso mais claramente.

– Quais materiais você utiliza para desenho e arte final?
Desenho usando lapiseira 0.7 com grafite azul para esboçar, completo com grafite HB e artefinalizo os personagens com pincel e os cenários, com caneta nanquim. No computador, aplico retículas e balões. Para colorir, eu utilizo muitas vezes aquarela e algumas vezes a pintura digital.

– Em que plataformas você disponibiliza Digude?
Forneço prévias on line. Cerca de 7 páginas por volume. É uma maneira das pessoas terem acesso ao trabalho gratuitamente e conhecerem um pouquinho da história. Forneço o mangá impresso, que é vendido em eventos, via correios e nas Livrarias da Travessa.

– Por que você adotou o formato em papel ao invés do digital?
É um gosto pessoal. Acho que o valor de pegar a revista na sua mão é muito maior. Eu prefiro ler um livro físico ao invés de um e-book, eu prefiro um mangá em minhas mãos a um on line. Sei que temos que ter um compromisso com a natureza, por isso, estou pensando em criar uma forma de leitura online, mas sem deixar de fazer a maneira impressa. Só diminuirei a quantidade.

-Você criou o seu quadrinho direcionado a algum publico?
Eu criei visando o público infantil e adolescente, mas achava que só as crianças comprariam. No fim as coisas ocorreram diferente do que eu esperava, pois a maioria dos leitores de Digude é composto por adolescentes e adultos. Talvez pela nostalgia. Devido a isso, estou até tendo mais liberdade, pois assim não preciso restringir nada de complexo.

– Como está sendo a resposta dos fãs?
Boa, pois a galera leva o volume 1 e volta para comprar o restante, e continuam acompanhando fielmente. Recebo e-mails com elogios e cobranças de mais volumes, alguns ficam conversando horas comigo nos eventos e, às vezes, trazem amigos juntos, que também se tornam leitores de Digude.

– Quais as dificuldades de se produzir um fanzine?
Tempo, dinheiro, falta de apoio, ilusão e conquista de público. Ter tempo para poder executar as páginas é difícil, pois tenho meu trabalho diário, família e outras coisas para dar atenção. Às vezes, tenho tempo para desenhar no trabalho, mas, muitas vezes, tenho que usar meu tempo de folga para fazer as páginas. Desenhá-las é rápido, o problema é arte-finalizá-las, o que me toma bastante tempo.
Quando você lança um trabalho independente, é difícil conseguir baratear custos de gráfica. Então, tem que fazer diversos cálculos e ter muita lábia para poder conseguir um bom preço quando arrumar uma boa gráfica.
No passado, os fanzines eram feitos em Xerox, com capa preto e branco, as revistas não tinham bom acabamento; em muitos casos, as histórias eram muito semelhantes a outras existentes, e isso fez com que o leitor se fechasse com o mangá brasileiro. Aos poucos, essa barreira vem sendo quebrada, mas o caminho ainda é longo.
Isso, direi agora, não aconteceu comigo, mas muitos autores se iludem, achando que venderão incrivelmente, porque alguns amigos dizem que sua história é boa. Então, o cara acha uma gráfica cara, que só barateia em quantidades absurdas. O autor é obrigado a imprimir 10000 cópias e acaba se deparando com a decepção de não conseguir vender bem. Eu tive muita sorte de conhecer o pessoal da Zine Expo, que me ajudou a não errar de início. Com eles, consegui uma gráfica onde poderia rodar quantas edições eu quisesse e, assim, fiz uma quantidade acessível para meu primeiro evento e vendi tudo, mas aí entrou a parte mais difícil. Convencer o público que meu trabalho é bom.
Talvez eu tenha conseguido me dar bem nisso, porque desacreditei que as pessoas poderiam gostar de uma história em que tem bolas de gude e isso me deu mais força para chamar as pessoas e mostrar a elas que valeria a pena gastarem o dinheiro delas naquele mangá que eles nunca viram, que estava sendo vendido do lado de um estande enorme, cheio dos maiores títulos do mundo com desconto.

-Você já enfrentou algum tipo de preconceito por se apropriar de um jogo brasileiro, as bolas de gude ao inseri-lo no seu Mangá?
Muitas vezes! Porém, aprendi com o grupo que participo (Zine Expo), que você deve ir lá e provar para o pessoal que seu material é bom. Assim, eu consigo quebrar esse preconceito na maioria das vezes. Mas, infelizmente, tem gente que não dá o braço a torcer. Uns porque não curtem o estilo de história – o que dá para entender facilmente, já que não se pode agradar a todos – , outros porque têm a mente fechada para trabalhos nacionais.

– O que você acha que o Mercado ou os Fãs poderiam fazer para melhorar a produção de quadrinhos nacional?
O mercado é totalmente dependente dos fãs, porque, devido à baixa procura, não há investimento e nem publicações das grandes editoras. Acho que, se o fã de mangá abrisse mais a mente e passasse a procurar por BOAS obras nacionais, a situação melhoraria. Digo boas obras, porque tem muito fanzineiro no Brasil, mas a minoria leva a sério e nem todas as histórias tem qualidade, por falta de empenho. Mas, se o fã procurar, ele acha histórias bem feitas e com qualidade. Claro que temos muitos erros em comparação a títulos famosos pelo mundo, porém, com o tempo, o mangá nacional está melhorando cada vez mais. Existem títulos nacionais que coleciono e sou super fã! Os leitores de mangá também podem conhecer algum que vão adorar acompanhar a história.

-Você espera alguma melhoria?
Sim! Aos poucos, está aumentando a quantidade de gente que lê mangás brasileiros. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro, junto com a Zine Expo, organizamos uma sala temática nos eventos, damos palestras, workshops, apresentamos nossas histórias e a visão das pessoas muda quanto a nós, fanzineiros. Tem até gente que vai aos eventos já nos procurando. Acho que, se em cada Estado, houvesse uma feira de fanzines bem organizada, como a Zine Expo ou Fanzine Expo, por todos os eventos, as coisas começariam a mudar mais rapidamente.

– Você tem alguma recomendação para um quadrinista iniciante?
Divirta-se! Mas nunca deixe de se aprimorar. Sempre queira mais! Observe, aprenda com seus ídolos e jamais ache que chegou ao seu máximo, pois o conformado não evolui. Leia bastante, não só mangás. Abra sua mente, pois assim, sua criatividade se expandirá junto. Queira sempre mostrar suas experiências através de suas histórias, e mostre algo através delas. Passe sua mensagem para seus fãs através delas. Não deixe sua história ser um vazio.

-Qual é a melhor coisa de ser um quadrinista?
É meio difícil, pois tudo é muito bom. Logo, acredito que jogar a sua mente ali no papel, dando forma às coisas que estão nela, fazendo o leitor entrar ali para entreter-se e ver a animação do leitor ao te contar sobre o quanto ele gostou da sua história é o que há de melhor em ser quadrinista. Eu havia planejado um primeiro arco de 15 volumes e, se a galera toda quisesse mais, eu daria continuidade. Só que, como eu havia dito antes, o público está sendo de jovens e adultos, e eu estou querendo mostrar mais e mais da personalidade de cada personagem antes de fechar esse arco. Então, creio que chegará, ou ultrapassará 20 edições.

– O que os fãs podem esperar de Digude?
Muita surpresa, melhoras e emoção. A história está engatinhando, apesar do tempo que já vem sendo feita, então, esperem muita coisa a ser revelada!

Você tem um minuto para vender o seu Mangá:
Garanto que, se você ler Digude, irá se interessar mais e mais a cada volume. Você terá a vantagem de ler algo que lhe trará curiosidade, nostalgia, muitas risadas, e também estará apoiando um autor nacional. O mangá tem qualidade gráfica, impresso em folhas de qualidade e, a cada volume, vem ganhando mais qualidade artística!

A equipe Mangamono agradece por sua colaboração cedendo essa entrevista, vocês tem alguma mensagem de agradecimento, pedido para registrar aqui?
Agradeço à equipe Mangamono, especialmente à Virgínia, que vem me ajudando muito em questão de visibilidade, inclusive internacionalmente.

Deixo meu agradecimento à Zine Expo e aos meus leitores, que acompanham meus trabalhos fielmente!

Vocês podem acessar ou saber mais sobre o Digude nos seguintes links:
http://zinedigude.blogspot.com
quinipa@gmail.com
http://www.facebook.com/pages/Digude/222293611169053?ref=ts&fref=ts

Para quem ficou curioso e quer conferir o presente que o Vinícius deixou para o público do Mangamono, um wallpaper do Digude é só você clicar nna imagem abaixo e abrir no tamanho original, salvar e usar como wallpaper na área de trabalho.

wallpaper

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